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Índios yanomamis brasileiros e venezuelanos são vítimas de sarampo

Data : 18 de julho de 2018

Mais de 60 casos foram registrados na região da fronteira, a maior parte entre venezuelanos; um bebê indígena brasileiro de 9 meses morreu

Um surto de sarampo ataca indígenas yanomamis brasileiros e venezuelanos, informou neste sábado (14) a direção de saúde indígena do norte do Brasil, que confirmou a morte de um bebê e 67 casos na fronteira com a Venezuela.

Do total de infectados, 60 são venezuelanos, detalhou Manoel Pereira, responsável técnico do programa de imunização do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami. A única morte registrada é a de um bebê brasileiro de nove meses. Outros nove casos estão sendo investigados.

“Na Venezuela está faltando assistência médica, especialmente vacinação, situação que já dura anos. As pessoas afetadas com sarampo procuram assistência no Brasil, propagando o vírus”, explicou Pereira.

A doença está atacando especialmente indígenas sanuma, um subgrupo da etnia yanomami que habita a região fronteiriça. Estima-se que 3.873 indígenas vivem na zona com maior número de notificações.

Os casos foram registrados entre março e junho. Há 34 dias não há notificações, mas Pereira ressalta que isto não significa que a situação esteja controlada. Funcionários de saúde brasileiros não podem entrar em território venezuelano para oferecer apoio médico devido à ruptura de acordos binacionais por diferenças entre os governos de Nicolás Maduro e Michel Temer, indicou o porta-voz, o que dificulta o apoio e a análise da situação na Venezuela.

“Não se trata apenas do sarampo, também é preocupante o avanço de outras doenças como malária, leishmaniose e pneumonia“, disse.

Os indígenas demoram dias em longas caminhadas até o Brasil para receber assistência, ressaltou Pereira. “Eles chegam em estado grave, relatam que a situação [na Venezuela] é muito complicada, falam que há leishmaniose, pneumonia, malária, sarampo. Dizem que há muito óbito, mas são relatos verbais, não temos como documentar isso porque não há dados concretos”, comentou.